Incentivar a presença de mulheres em posições de destaque no ambiente corporativo, na política nacional e internacional é fundamental. Como mulher madura que conquistou seu espaço, acredito que meu papel não é apenas aconselhar as jovens que buscam seu lugar no mercado. Ao contrário: chegou a hora de convocar mulheres experientes e homens para agir ativamente por uma sociedade mais rica, próspera e com mais mulheres ocupando espaços ainda predominantemente masculinos.
Estudos em psicologia social mostram que, quando pessoas precisam lutar constantemente por reconhecimento e contra preconceitos, seu desempenho nas áreas em que mais brilham acaba sendo comprometido. Isso acontece até nos esportes. Por isso, a melhor estratégia para garantir mais mulheres no centro das decisões não é apenas dizer às jovens que lutem — é conduzi-las a essas posições e lutar ao lado delas contra toda forma de preconceito que possam sofrer.
A luta é da sociedade como um todo. Não podemos permitir que talentos femininos se percam em batalhas intermináveis, enquanto assistimos passivamente a violências físicas e morais. Cabe a todos nós garantir que as mulheres tenham oportunidades reais de ocupar qualquer posição com a mesma naturalidade com que os homens as ocupam.
Ainda é comum ver mulheres recusando uma promoção porque não podem viajar a trabalho — o marido não aceita assumir os cuidados com os filhos por alguns dias. Cabe ao companheiro, aos avós e à rede de apoio incentivar e sustentar esse movimento.
Também é frequente que mulheres sejam interrompidas ou tenham suas falas questionadas durante reuniões. Cabe a homens e mulheres que já conquistaram reconhecimento garantir que elas concluam seus raciocínios e pedir sua opinião quando permanecem em silêncio.
Infelizmente, muitas mulheres ainda são perseguidas por ex-companheiros, sofrem ameaças e violência — contra si e contra os filhos. Cabe à sociedade denunciar comentários misóginos, piadas com conotação sexual e qualquer conteúdo que objetifique as mulheres, especialmente nas redes sociais.
Precisamos, com urgência, romper com esse ciclo de atraso. Cabe a todos — mulheres e homens unidos — se indignar e agir para eliminar esse câncer que corrói nossa sociedade.
Por: Maria Luiza Reis